Do What You Want: a história do Bad Religion

15 de setembro de 2020

Bad Religion Do What You Want

Para comemorar os 40 anos de carreira, o Bad Religion acaba de lançar Do What You Want. Escrita pelo norte-americano Jim Ruland, a biografia conta a história da banda através de depoimentos dos músicos.

Sinceramente, eu pensava que sabia bastante sobre a carreira deles. Contudo, ao ler o livro, tive certeza que eu não conhecia nem metade das histórias dessas quatro décadas.

Bad Religion no primeiro local de ensaio.
Bad Religion no primeiro local de ensaio.

No Bad Religion Song Can Make Your Life Complete

Do What You Want traz um retrato bem detalhado do começo do Bad Religion. Desde os primeiros ensaios na The Hell Hole, a quente garagem da casa do vocalista Greg Graffin.

É muito curioso ver como a banda se formou a partir de um ideal bem claro. Algo que fica claro no nome e nas letras das canções até hoje.

Mais interessante é perceber que os integrantes ainda eram adolescentes quando surgiram com esse pensamento.

Para Greg e o guitarrista Brett Gurewitz, “Bad Religion” é todo conjunto de ideias que impedem que a pessoa de agir por contra própria. Isso pode ser uma religião, um governo autoritário e diversos outros sistemas.

Sim, eles tinham menos de 17 anos quando criaram esse conceito.

Imagem de um show da banda nos anos 1990.
Imagem de um show da banda nos anos 1990.

This is a punk rock… book

Do começo simples aos violentos shows da cena punk rock em Los Angeles. Dos grandes festivais a Warped Tour. O Bad Religion tem muitas histórias para compartilhar com os fãs.

Afinal, são 40 anos fazendo turnês e gravando discos. 

Assim, álbuns clássicos como Surfer (1988) e No Control (1989) têm capítulos especiais sobre as gravações. São comentários sobre as letras, os singles e como a rotina dos integrantes influenciaram o material.

Até mesmo o renegado Into The Unknown (1983) é apresentado ao público.

Tudo isso é mostrado de forma honesta. Por exemplo, os músicos não escondem nos depoimentos os momentos em que foram imaturos ou se arrependeram das atitudes.

Ademais, Do What You Want também destaca apresentações marcantes para o Bad Religion.

Curiosamente, um dos capítulos traz o relato de um show que a banda fez no Brasil em 1999. No caso, a apresentação na cidade de Santos quase foi cancelada porque um apagão atingiu o estado de São Paulo durante uma forte tempestade.

Banda na frente do lendário GBGB's em Nova York.
Banda na frente do lendário GBGB’s em Nova York.

Man in a Mission

Além de acompanhar o crescimento do Bad Religion, Do What You Want mostra o crescimento da Epitaph Records, a gravadora de Brett Gurewitz.

Para quem gosta de história de DIY, é curioso ver como um selo gerenciado por um garoto se tornou referência para outras gravadoras independentes.

Sem dúvidas, é melhor que qualquer palestra de coach de empreendedorismo.

Outro ponto que chama atenção é como os músicos são retratados no livro. Basicamente, a história gira em torno de Greg, Brett e o baixista Jay Bentley. No caso, eles são os únicos membros originais que ainda permanecem na banda. 

Desta forma, o vocalista é retratado como o punk rocker com uma incrível vida acadêmica. Fato bem exaltado até mesmo no capítulo final da publicação.

Por outro lado, Brett e Jay são apresentados como os “anti-heróis”. Os problemas que ambos tiveram com o álcool e as drogas são abordados abertamente – e sem medo de julgamentos.

Jay Bentley, Greg Graffin e Bret Gurewitz.
Jay Bentley, Greg Graffin e Bret Gurewitz.

True North

Como eu disse anteriormente, eu pensava que conhecia a história do Bad Religion. Do What You Want mostra os altos e baixos da banda de forma bem clara e honesta.

A entrada e saída de cada integrante, o período na Atlantic Records, o retorno para Epitaph. Agora está tudo “documentado” em apenas um livro.

Na minha opinião, o único ponto negativo é abordagem muito breve dos discos True North (2013) e Age of Unreason (2019). No caso, os dois últimos lançamentos da banda.

Penso que, como eles ainda não passaram pela “prova do tempo”, o autor não quis destacá-los como os clássicos. Contudo, ainda há detalhes interessantes de bastidores.

Entretanto, isso não tira o brilho de Do What You Want. Se você é fã de Bad Religion, vá atrás dessa incrível biografia!

Foto de divulgação do álbum Age of Unreason (2019)
Foto de divulgação do álbum Age of Unreason (2019)

Leia Do What You Want!

Como a maioria dos livros que comento, li Do What You Want na versão em inglês para o Kindle. Assim, confesso que estava tão ansioso e ele foi um presente de aniversário que dei a mim mesmo.

Uma versão traduzida para o português está sendo editada pela Highlight Sounds. A princípio, ela deve ser lançada até o final do ano. Então, sabendo mais novidades, eu atualizo aqui!


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